Franz Weissmann

Franz Josef Weissmann nasceu em 15 de setembro de 1911 em Knittefeld, Áustria. Mudou-se com a família para o Brasil em 1921 e viveu até 1927 no interior de São Paulo. Viveu na capital paulista de 1927 a 1929 e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou, a partir de 1939, na Escola Nacional de Belas Artes, sem, no entanto, ter concluído o curso. 


De 1942 a 1944 estudou desenho e escultura com August Zamoyski. Em 1944, mudou-se para Belo Horizonte, onde lecionou, junto com Guignard, na primeira Escola de Arte Moderna da cidade, idealizada pelo então prefeito Juscelino Kubitschek. Em 1946 realiza 1ª exposição individual na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1951 inicia suas primeiras experiências construtivas no campo da escultura, trabalhando com bronze, cimento, argila e fios de aço, e explora a forma do cubo no espaço vazio. Essas pesquisas culminam na obra Cubo Vazado, de 1951, recusado na I Bienal de São Paulo. Em 1952 inicia experiências com arte concreta, trabalhando o Cubo Aberto e os Blocos Modulares, propostas abertas à participação do observador. Ainda em 1953 faz uma nova versão do Cubo Vazado e participa da II Bienal de São Paulo. 

Em 1955, participa da III Bienal de São Paulo, onde recebe o 2º Prêmio de Escultura com uma série de obras de fios de aço, batizadas por Mário Pedrosa de “desenhos no espaço”. Integra o Grupo Frente, ao lado dos principais nomes da vanguarda concretista no Rio de Janeiro: Abraham Palatnik, Aluísio Carvão, Décio Vieira, Ferreira Gullar, Hélio Oiticica, Ivan Serpa, João José Costa, Lygia Clark e Lygia Pape. Em Belo Horizonte, onde ensina até 1956, ajudou a formar uma geração de artistas, entre eles Amílcar de Castro, Mary Vieira, Farnese de Andrade, Maria Helena Andrés, Sara Ávila, Mário Silésio, entre outros. Retorna ao Rio de Janeiro e seus trabalhos integram as 3ª e a 4ª exposições do Grupo Frente e a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM de São Paulo e no MAM do Rio. Ao preparar sua mudança para o Rio de Janeiro, vê seu ateliê na Escola Guignard ser ocupado pela policia, que destrói todos os seus estudos, projetos e trabalhos. 


Em 1957 participa da IV Bienal de São Paulo. Em 1958, recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no VII Salão Nacional de Arte Moderna e viajou para a Europa e Oriente. Antes de partir, assinou o Manifesto Neoconcreto. Em 1959 participa da 1ª Exposição de Arte Neoconcreta, no MAM do Rio de Janeiro, e parte com a família em viagem para a Europa. Nesse período realizou duas exposições individuais na Espanha (1962 e 1964) onde mostra os desenhos e os Amassados. Em 1965 ,volta ao Rio de Janeiro e tem sala especial na VIII Bienal de São Paulo onde mostra os “Amassados” produzidos enquanto estava na Europa. Em 1966, já no Brasil, dedica-se a experimentações com peças modulares a partir de perfis metálicos industriais. Participa, em 1967, da IX Bienal de São Paulo com a Arapuca e apresenta os primeiros Módulos Mutáveis usando perfis metálicos industriais coloridos, abertos à participação do público. Introduz aqui sua pesquisa com a cor na construção espacial e as possibilidades óticas e participativas da escultura. Em 1969 integra o grupo que se recusa a participar da X Bienal de São Paulo em solidariedade ao boicote internacional contra a ditadura, a censura e a violência no Brasil. Em 1970 participa do evento “Do Corpo à Terra” durante a semana de vanguarda coordenada por Frederico Morais em Belo Horizonte.  Em 1971, participa da XI Bienal de Escultura ao Ar Livre de Antuérpia [Bélgica] e, em 1972, da Bienal de Veneza com duas salas especiais onde mostra os Módulos Monumentais e Labirintos Lineares. Realiza a primeira mostra retrospectiva em 1981, no IAB do Rio de Janeiro. Recebe em 1993 o Prêmio Nacional de Arte do Ministério da Cultura pela importância e contribuição de sua obra à arte brasileira. Realizou uma série de importantes exposições no Brasil e instalou um enorme número de esculturas em espaços públicos das principais cidades brasileiras. 


Morreu no Rio de Janeiro em 18 de julho de 2005, aos 94 anos.