Maria Andrade

3 MARIAS

por Rodrigo Bivar

 

É possível separar as pinturas de Maria Andrade em 3 grupos: paisagens, abstrações e pinturas de matas.

 

Acredito que o grupo que menos se relaciona com os outros dois seja a série das pinturas de paisagens. Essas pinturas se baseiam em fotografias, ou são reconstruções efetuadas pela memória. Embora sejam pinturas de paisagens, o uso da cor empregado pela artista não tem a intensão – salvo uma peça – de serem naturalistas.  A maioria das pinturas dessa série guarda alguma semelhança, ou até mesmo deriva do interesse da artista por peças gráficas, cartazes, pôsteres.

 

Há nessas paisagens, quase todas feita sobre madeira, uma pincelada decidida e decisiva, algo que está diretamente ligado à natureza do suporte. Isso permite também uma materialidade que dá a entender que Maria resolve essas pinturas de uma forma rápida. Nesse suporte, na forma como a artista o utiliza,  não há tempo para o arrependimento e dúvidas. Tudo tem que ser resolvido de forma rápida. As dúvidas que provavelmente aparecem são resolvidas e rapidamente eliminadas pela próxima ação decisiva. Os trabalhos ganham assim um frescor e um ar de displicência positiva.

 

Esse clima de displicência positiva se faz igualmente presente nos outros dois grupos de trabalho. Porém, aqui, diferentemente das paisagens, os trabalhos passam por um escrutínio maior por parte da artista. As marcas da indecisão e da dúvida aparecem também como forma de expressão.  Maria passa mais tempo agindo sobre essas pinturas.

 

O que ao primeiro olhar pode parecer muito diferente, as pinturas abstratas (círculos) e as pinturas de mata, ao fim ganham proximidade por serem representações que deixam rastros do seu fazer. Embora o grupo de pinturas de mata – suas cores, azul, cinza, verde e preto nos remetem a Picasso e Manet – possam ter um aspecto mais sombrio e até mais dramático, o outro grupo de pinturas de círculos tem um aspecto mais bem humorado e, porque não, mais absurdo, dada a sua simplicidade. São meus favoritos, devo dizer.  Acredito que esses dois assuntos diferentes, matas e círculos, relacionam-se pelo modo como a artista os trata com a mesma intensidade. Há uma intensão de fazer uma pintura densa e séria, porém com humor.

 

Este é o grande mérito de Maria: trata-se de uma artista ambiciosa, mas com um senso de humor que possibilita que ela tire melhor proveito de seu oficio.