Maria Andrade

QUE PAISAGENS SÃO ESSAS?

Por Vania Reis

Que paisagens são essas? A natureza expressa por Maria não é hostil, também não é sublime, é intrigante. E está certamente subjugada por suas memórias, conquistando na ligeireza do traço, forma e figura.


Árvores, pedras, nuvens e chão, terra e água, protagonizam a cena em um ambiente muitas vezes envolto numa atmosfera de solidão e desamparo. O conjunto flutua no espaço cortado por uma linha ou em planos sucessivos que não se abrem numa perspectiva visual e, sim, nos lança num horizonte ao mesmo tempo que traça uma divisão com o infinito do céu.


As imagens tentam se sustentar numa superfície que desaparece fazendo surgir novos espaços em cores que não se misturam mas, às vezes, apenas se tocam e se anulam. E as figuras se dissolvem numa luz sem origem.


A moldura é um novo elemento também sem uniformidade que não delimita os dois mundos, nem o de fora nem o de dentro, numa desobediência onde se incorpora no plano da pintura e, indo além, se expande em cor e forma. A própria pintura simula a divisa onde a moldura não está presente avançando em linha reta na mesma cor, confundido os materiais e as funções entre borda, tinta metal e continência.

Podemos supor um prazer através da capacidade de criar e transformar com isso o mundo a sua volta e de volta àquilo que estava aprisionado em sua memória, ganhando realidade em cor e forma. Eram experiências depois lembranças que, povoando o universo interno de Maria, agora são transformadas em paisagens.