Sergio Romagnolo

Sérgio Romagnolo, 1957

Texto Crítico

Em seus primeiros trabalhos, Sérgio Romagnolo explora o universo urbano e industrial, recriando

peças como carros, prédios, aviões, máquinas fotográficas, câmeras de vídeo e latas de lixo feitas em plástico aquecido e moldado à mão. O artista agrega imagens diversas em situações inesperadas, mas, como nota a crítica de arte Lisette Lagnado, as peças, longe de serem aleatórias, apresentam ao espectador uma narrativa com soluções inteligentes. Segundo o próprio artista, sua produção abrange as imagens produzidas pelos meios de comunicação de massa, englobando, por exemplo, personagens de quadrinhos como os super-heróis. Em outros trabalhos, realiza imagens religiosas, como em Santa Tereza, 1990, Pietá, 1989 ou Coroa de Cristo, 1989.

Para o crítico de arte Ricardo Basbaum, o artista, que opta pela manualidade na realização de seus trabalhos, apresenta nas obras as marcas das pontas dos dedos ou das mãos, que permanecem na superfície após o resfriamento do plástico. Entretanto, os gestos registrados no material são impessoais, rígidos, exigem do espectador uma difícil reconstrução mental para que possa imaginar o seu processo de realização.

Em 1993, o artista molda 12 figuras que têm como referência os profetas de Aleijadinho. Para o historiador da arte Agnaldo Farias, as peças apresentam semelhanças entre si pelo hieratismo das poses, pelo drapeado do panejamento, mas revelam, na opção do artista pelo uso de material industrializado, a impossibilidade de permanência do passado e uma reflexão sobre o contemporâneo.