MABE BETHÔNICO

AULAS DE OUTRO MUNDO

02.04.2022 - 21.05.2022
Sala 1 / rua Jerônimo da Veiga 131 - São Paulo

MABE BETHÔNICO

AULAS DE OUTRO MUNDO

TEXTO CRÍTICO THÉO-MARIO COPPOLA


Clique para acessar o texto crítico


Abertura 

sábado, 02 de Abril de 2022, 11-16h 


Período Expositivo 

de 04 de Abril à 21 de Maio de 2022


Horário de Visitação

Seg- sex, 11h-18h / Sáb, 11h às 16h 

Tel: +55 11 3079-0853 

Whatsapp: + 55 11 96082-3111


‘Aulas de Outro Mundo’ é a segunda individual de Mabe Bethônico na Galeria Marilia Razuk, e traz ao público trabalhos inéditos, que utilizam meios pedagógicos e abordam questões de transmissão de conhecimento. Mabe Bethônico (Belo Horizonte, 1966) trabalha com os limites entre documentação e construção, evidenciando como a informação pode ser construída e retrabalhada continuamente, observando como as instituições operam ao guardar e circular informações. A transmissão de conhecimento sempre esteve presente na obra da artista, e para sua nova exposição na Galeria Marília Razuk, ela se refere a materiais pedagógicos como lousas, slides escolares e o livro, enquanto faz alusão ao próprio professor. Nessa nova série de obras, em que assume suportes pedagógicos como veículos para revisitar a história colonial, Mabe também faz refletir sobre meios e discursos atuais. O resultado deste trabalho pode ser visto pelo público a partir deste sábado, 2 de abril, na mostra Aulas de Outro Mundo


Artista, pesquisadora e professora, Mabe Bethônico integra a geração que cresceu durante a ditadura militar brasileira, e viu, como resultado deste período, a escola, a educação formal, ser usada como um aparelho ideológico eficaz em dificultar reflexões críticas. Ao pensamento sobre as marcas e os discursos deste período, somam-se análises sobre como é vivenciar hoje o cenário político e educacional que o país atravessa.


Na série Educa-se nas Relações (2022), composta por 22 impressões fotográficas, Mabe reúne slides de apoio didático sobre temas variados como história, geografia, botânica, e outros - e confere ao material uma ressignificação. Aludindo à reconfiguração do saber, ela cria slides que podem ser facilitadores de aulas desafiadoras e necessárias sobre as relações complexas entre humanos e outros animais, plantas e elementos geológicos. Já no vídeo Betty Bloomsfield (2019), uma colaboração de Mabe Bethônico com Hannah Stewart, uma marionete ocupa o lugar de professor e, a partir de textos apropriados e reconstituídos, elabora, não sem dificuldade, sobre questões do antropoceno. Para o vídeo Mountains Thrashing Out, a artista recorta as fumaças impressas num livro sobre vulcões. O papel se torna estranho suporte dessa matéria que é por sua vez reincorporada ao livro, na medida em que o vídeo é mostrado ao reverso, sendo as fumaças reposicionadas pela tesoura.


“Ao reinterpretar diversas formas de linguagem institucional associadas ao ensino e à aprendizagem, Mabe Bethônico traz à tona as contranarrativas. Ela dá voz a histórias que as instituições dominantes excluíram do discurso histórico, científico e cultural”, reflete o curador e crítico de arte francês Théo-Mario Coppola em texto sobre a mostra. 


Sobre a artista

Com mestrado e doutorado pelo Royal College of Art, Londres, Mabe Bethônico é membro do projeto de artistas e teóricos World of Matter. Seu trabalho é exibido internacionalmente, como na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2021, nas 27ª e 28ª Bienais de São Paulo, no MAM e MIS de São Paulo, Museu da Pampulha, Centre Pompidou, em Paris, no Centre de la Photographie, Geneva, Museo de Antioquia - Medellin, Kunstverein Muenchen - Munique, HMKV Dortmund, Kunsthals Aahus, Nottingham Contemporary, dentre outros.  Possui obras nos acervos do Cantão de Genebra, do Museu da Pampulha, MAM e Pinacoteca de São Paulo, MALBA - Buenos Aires, Alkazzi Foundation, dentre outros. Desenvolveu instituições no âmbito ficcional/ documental, como o museumuseu, o Museu do Sabão e o Museu dos Assuntos Públicos.

Numa parte importante de sua produção, a artista lida com questões relacionadas à memória da extração mineral no Brasil, com interesse pela história da destruição ambiental e social causada historicamente pelas indústrias mineiras. 


Théo-Mario Coppola 

Théo-Mario Coppola (nasceu em 1990 – é não-binárie – elu/delu/nelu) faz curadoria independente e escreve sobre arte. Na interseção entre empatia e ativismo, sua prática curatorial se envolve e se molda por meio de pesquisa, do experimental, de narrativas e políticas. Théo-Mario Coppola fundou e curou HOTEL EUROPA, uma série anual de exposições e programas (Vilnius, Lituânia em 2017, Bruxelas, Bélgica em 2018 e Tbilisi, Geórgia em 2019). Em 2018, elu curou a terceira edição do festival de artes Nuit Blanche na Villa Medici em Roma, Itália. Em 2021, Théo-Mario Coppola assinou a curadoria da décima primeira edição da bienal Momentum em Moss, Noruega. Seus textos são publicados regularmente em catálogos e revistas de arte.



Serviço:

Aulas de Outro Mundo, individual de Mabe Bethônico

Local: Galeria Marilia Razuk

Período: 2 de abril a 21 de maio de 2022

Texto crítico: Théo-Mario Coppola